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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Com Santoro e Banderas, "Os 33" mostra abertura de Hollywood para latinos


Antonio Banderas gosta de dizer que o set de "Os 33" era algo assim como a ONU dos atores. Não há exagero na imagem cunhada pelo ator espanhol de 45 anos, protagonista do filme que estreia no Brasil quinta-feira (29), na pele do mineiro Mario Sepúlveda, líder informal dos 33 trabalhadores retirados com vida das profundezas da mina de carvão e ouro de San José, em 2010.



A versão para o cinema do drama que comoveu milhares de espectadores em tempo real há cinco anos é dirigida por uma mexicana, Patricia Riggen, de "Garota em Progresso" (2012). E um dos primeiros pedidos da diretora foi o de convocar atores com passaportes dos mais diversos países, notadamente América Latina e Espanha, para as filmagens na Colômbia e no deserto do Atacama, no Chile.

"Queria enfatizar o caráter internacional de uma história que é, ao mesmo tempo, importantíssima para o Chile contemporâneo, trata da solidariedade entre trabalhadores latino-americanos em uma situação-limite e foi acompanhada com atenção pelos quatro cantos do mundo. Disse aos produtores que estaria seguindo a coerência deles, de escalarem uma diretora hispânica para comandar as filmagens. O momento em Hollywood para atores de origem latina é, de fato, singularíssimo", diz Riggen.

Seu filme realmente é um exemplo concreto de algo que atores como Sofia Vergara, Javier Barden, Penélope Cruz, Gael García Bernal e Zoe Saldana já vinham demonstrando: Hollywood está cada vez mais se abrindo para os latinos.

Além de Banderas, um dos primeiros atores de origem ibérica a explodir em Hollywood, ainda nos anos 1990, a diretora convocou para atuar ao lado do americano Lou Diamond Phillips, do irlandês Gabriel Byrne e da francesa Juliette Binoche uma seleção de profissionais cuja língua-mãe é ou o castelhano ou o português.

Rodrigo Santoro vive um político do gabinete conservador do então presidente Sebastián Piñera. A chilena Cote de Pablo e a mexicana Kate del Castillo são duas das mulheres dos mineiros, ao lado de Binoche no comando da pressão para o resgate de seus amados. O colombiano Juan Pablo Raba e o galã espanhol Mario Casas são dois dos 33 mineiros do título. E, aspecto não menos importante, o filme, distribuído nos EUA e na América Latina pela Fox, é falado em inglês.

"Posso citar dois aspectos fascinantes do set para mim. Um foi o de Juliette Binoche e Gabriel Byrne estudando o sotaque que deveriam ter no filme, já que todos usávamos um inglês específico, a nossa língua-franca naqueles dias", diz Del Castillo. "O outro é o fato de estarmos todos juntos, no mesmo hotelzinho pequenino no deserto e de não haver, jamais, qualquer diferença entre nós. Éramos todos colegas e era apenas uma informação a mais o fato de eu ser uma fã declarada da Juliette", conta a atriz, rindo.

Santoro lembra dos jantares em conjunto e de como o fato de os sets serem todos isolados possibilitaram uma experiência inédita em sua carreira, a de passar noites a fio falando sobre arte com Byrne, apreciando a culinária de Phillips e conversando em espanhol e inglês com os colegas.

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