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domingo, 29 de maio de 2016

Jogo do Dinheiro


Ontem, assisti ao Jogo do Dinheiro (Money Monster, 2016), ótimo filme com George Cloney e Julia Roberts, que retrata as especulações do mercado financeiro em um programa de dicas econômicas, que não tem escrúpulos em noticiar informações que podem afetar de forma negativa a vida da audiência. Em linhas gerais, o filme passa a mensagem do importante papel e responsabilidade que a imprensa deve ter com a verdade.

Vale à pena conferir!

Leiam abaixo parte da crítica de Pablo Vilaça:

(...)
"E é justamente a especulação financeira e a natureza destrutiva da ganância em um mercado desregulado que serve de centro a Jogo do Dinheiro, dirigido por Jodie Foster a partir do roteiro de Jamie Linden, Alan DiFiore e Jim Kouf e que acompanha o apresentador de televisão Lee Gates (Clooney), responsável por um destes programas de dicas financeiras recheados de efeitos sonoros, gráficos explosivos e a sugestão de que dominam segredos sobre a bolsa que poderão enriquecer qualquer espectador atento – mas que, quando cometem um erro (algo extremamente comum), mal dizem um “ops” antes de seguirem em frente. Porém, quando um jovem que investiu e perdeu todo seu dinheiro numa sugestão de Gates invade o estúdio e ameaça matá-lo diante das câmeras caso não consiga uma explicação de Walt Camby (West), CEO da empresa cujas ações comprou, as consequências reais das gracinhas do jornalista se tornam palpáveis, obrigando a diretora do programa, Patty Fenn (Roberts), a investigar como a tal Ibis pode ter perdido 800 milhões de dólares em apenas uma tarde.
De um ponto de vista puramente temático, aliás, o ponto fraco de Jogo do Dinheiro encontra-se justamente na ideia de concentrar sua trama em uma aparente conspiração que, mesmo funcionando como gatilho de um bom thriller, enfraquece a tese do filme acerca da corrupção sistemática do mercado financeiro. Sim, em certo momento, o longa até tenta apontar que casos como o que retrata são recorrentes e até mesmo incentivados por uma comunidade de executivos obcecados por bônus obtidos de qualquer forma, mas mesmo assim não consegue evitar que sua mensagem se torne difusa graças aos absurdos da trama (especialmente a partir do terceiro ato).
(...)
Ágil, tenso e envolvente, Jogo do Dinheiro certamente abre novas possibilidades para Jodie Foster como diretora, já que se diferencia consideravelmente dos projetos mais leves e que se preocupavam mais com os dramas pessoais de seus personagens do que em evocar um senso de urgência ou em desenvolver uma trama mais complexa – e Foster não apenas faz isso muito bem como aproveita para apresentar discussões que lhe são obviamente caras, como a transformação do jornalismo em puro espetáculo e a falta do compromisso de seus praticantes com a verdade e com a apuração dos fatos (algo que ficou claro no pós-2008: vários colunistas econômicos e apresentadores de programas sobre o tema simplesmente reproduziam sem qualquer crítica o que CEOs e analistas diziam, prejudicando, com isso, qualquer um que cometesse o risco de levar a sério suas conclusões).
(...)
Surpreendentemente bem-humorado, Jogo do Dinheiro também usa com sabedoria as piadas que salpicam o roteiro para ressaltar a crueldade do mundo que está discutindo e no qual as pessoas comuns pouco importam.
Afinal, o que realmente interessa são o valor do dólar e os índices da Ibovespa."