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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O preço que Scorsese pagou por levar quase 30 anos para fazer "Silêncio"


Martin Scorsese apresentou nesta sexta-feira (13), em Paris, "Silêncio", seu filme mais pessoal e que planejou realizar desde os anos de 1990. Rodado em Taiwan, a trama se baseia na obra histórica homônima do japonês Shusaku Endo e narra as dificuldades dos missionários jesuítas no Japão no século 17.
Com "Silêncio", Scorsese, que se define como um católico não praticante, pretende "abrir um diálogo" com o público e mostrar "até que ponto a espiritualidade é parte integrante do ser humano". "O mundo não deve abandonar a espiritualidade, apesar dos atuais acontecimentos terríveis", afirmou ele.
O diretor fez e desfez este filme em sua cabeça por décadas, mudando, inclusive, o elenco, porque os atores "iam envelhecendo". E convencer Hollywood também não foi fácil. Ele precisou superar "problemas financeiros e legais" e "três ou quartos grandes atores" rejeitaram o convite porque "a religião não fazia parte de sua vida".
Sem citar nomes, Scorsese contou que um deles chegou a descartar o filme durante as filmagens de "O Lobo de Wall Street", protagonizado por Leonardo DiCaprio. Para ele, em Hollywood são necessários "atores que atraiam dinheiro", mas ao mesmo tempo corre-se o risco de trabalhar com quem "não acredita no projeto". Para "Silêncio", o diretor levou Andrew Garfield, Liam Neeson e Adam Driver.
Aos 74 anos, o diretor de "Taxi Driver" e "A Última Tentação de Cristo" assegurou que já "não tem nada a esconder", nem precisa "demonstrar que sabe utilizar uma câmera". "Este filme é o que sou agora. Não sigo a moda", destacou. "De alguma forma, este é o filme que mais se entrelaçou com a minha vida pessoal".
Até mesmo as filmagens na natureza, que disse tê-lo feito descobrir, por exemplo, o som das marés, foi uma "experiência mística". "Sou nova-iorquino, alérgico a tudo (...) e de repente me encontrei no topo de uma montanha", contou. "Viemos do silêncio e é para lá que vamos. Deveríamos aprender a nos sentir confortáveis com isso", disse, em alusão ao título do filme.
Em novembro, ele apresentou "Silêncio" no Vaticano, logo após se reunir com o papa Francisco.

Fonte: UOL Cinema