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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Alien | A história por trás da criatura do filme clássico

Sem CGI, ator utilizava roupa com capacete de dois quilos e causava medo real no elenco

Alien: Covenant chegau aos cinemas brasileiros e apresentou mais uma vez uma das criaturas mais assustadoras de todos os tempos. Para nova produção, o monstro foi todo criado em CGI, o que o deixou ainda mais real. Porém, no passado um longa não podia contar com toda essa tecnologia e o primeiro Alien precisou de um trabalho conjunto entre um artista, um ator sem experiência e muito esforço de Ridley Scott e sua equipe para ganhar vida. 
Na época, efeitos práticos eram fundamentais para criar a magia do cinema. Computadores não eram capazes de realizar cenas reais, quanto mais uma criatura alienígena ameaçadora. Por isso, assim que iniciou a pré-produção de seu longa, Scott começou a procurar um artista que conseguisse desenvolver o visual do Alien e criasse algo completamente diferente do que foi feito até então. Dan O’Bannon, que desenvolveu a história ao lado de Ronald Shusett, logo lembrou de um artista que havia conhecido em uma adaptação de Duna que nunca foi realizada: H.R. Giger.
O trabalho do suíço havia assustado e, ao mesmo tempo, maravilhado o roteirista, que não conseguia tirar um de seus desenhos da cabeça. “Olhando para eles, eu pensava ‘Se alguém desse para ele o design de um filme de monstro, seria algo que ninguém jamais viu’”, afirmou ao site Tested. Com isso, ele enviou para o diretor uma cópia de Necronom IV (foto abaixo), que o artista criou em 1976, e imediatamente o cineasta soube que havia encontrado alguém não apenas para o monstro, mas para todo o conceito alienígena do longa.


Usando seu desenho como base, Giger fez modificações na cabeça, deu uma segunda boca para criatura e descobriu uma maneira de deixa-la ainda mais ameaçadora para o público. “Chegamos à conclusão que se não tivesse olhos e fosse guiada apenas pelo instinto ela seria mais aterrorizante”, explicou no documentário de 1979 sobre o filme. Logo ele e sua equipe construíram uma pequena escultura e, em seguida, criaram uma fantasia que pudesse ser usada por um homem. Contudo, agora a equipe esbarrava em um novo desafio: encontrar uma pessoa que conseguisse usá-la.
A produção começou a testar diversos artistas no papel do Xenomorfo. Primeiro tentaram contorcionistas, que não funcionaram. Depois, tentaram jogadores de basquete, mímicos e até Peter Mayhew, intérprete de Chewbacca em Star Wars, foi considerado. Contudo, nenhum deles funcionava bem na fantasia. “Nós tínhamos essa visão de um Louva-Deus. Nós precisávamos de alguém incrivelmente alto com pernas longas, para que quando essa pessoa abaixasse tivéssemos a impressão de um inseto”, afirmou à CNN Ivor Powell, produtor associado do longa.
Depois de muita busca, o diretor de casting Peter Archer encontrou por acaso em um bar de Londres o nigeriano Bolaji Badejo, um homem que nunca havia atuado, mas tinha todas as características físicas necessárias para o papel. “Assim que eu entrei, Ridley Scott sabia que havia encontrado a pessoa certa”, afirmou Badejo à Cinefantastique em 1979. Disposto a fazer o melhor trabalho possível, ele começou a ter aulas de mímica e passou a treinar para ganhar músculos na perna para chegar na ideia da produção. Porém, a enorme cabeça do monstro dificultava seus movimentos. “Eu mal podia ver, exceto quando eu estava parado enquanto eles filmavam. Era algo incrivelmente quente... eu conseguia usar algo entre 15 e 20 minutos por vez. Quando eu tirava, minha cabeça estava ensopada de suor”, completou para publicação.
No vídeo abaixo, o nigeriano testa diferentes formas de movimentação com uma roupa ainda rudimentar e uma cabeça teste, que ainda conta com olhos:


Não era fácil lidar com o traje, mas o ator manteve-se profissional e com o tempo tornou-se a personificação do Xenomorfo. Para aumentar o realismo do longa, Scott pediu para que ele não interagisse muito com o elenco para que os outros atores sentissem um medo verdadeiro em cena. “Durante os intervalos ele não ficava tomando chá conosco e ficava longe, nunca conversávamos. Quando víamos essa enorme criatura em cena, era eletrizante. Não era atuação. Nós estávamos verdadeiramente aterrorizados”, afirmou Sigourney Weaver ao Daily Mail.

Apesar do esforço de BadejoRidley Scott sabia que ele não conseguiria atingir o nível de realismo necessário para as câmeras. Por isso, utilizou a mesma técnica de Steven Spielberg em Tubarão – mostrar a criatura o menos possível e criar o suspense com a trilha sonora e trabalhando com a reação de seus atores. “Em Alien, o filme mais assustador da série, você não vê muito do monstro pois eu tinha uma limitação no que poderia fazer. O capacete [que servia de cabeça da criatura] era longo e pesava dois quilos e se você vira sua cabeça com dois quilos, você corre o risco de machucar o pescoço. Tudo era um problema”, afirmou ao Deadline.
Mesmo com as limitações, Balejo tornou-se a principal atração do filme. Contudo, um dos momentos mais icônicos do longa não conta com sua presença. Apesar de ter sido feito no final dos anos 70, o efeito da criatura explodindo pela barriga de John Hurt segue uma das mais potentes do cinema e muito se deve a reação do elenco, que não fazia ideia de como a cena seria realizada. “Essas reações são as coisas mais difíceis de conseguir. Se um ator finge estar assustado, você não consegue pegar esse lado brutal e animalesco dele”, explicou ao The Guardian.
Durante a manhã, eles levaram Hurt para se preparar e deixaram o restante do elenco sozinho por quatro horas. No roteiro, estava escrito apenas: 'a criatura surge'. Tempos depois, prepararam um peito artificial preso na mesa e John ficava embaixo dele. Quatro câmeras estavam preparadas para filmar e todo o set foi coberto com plástico, enquanto a equipe utilizava capas de chuva. “Ninguém disse uma palavra. Eu olhei para Sigourney e ela estava verdadeiramente assustada. ‘Você realmente está na personagem’, eu disse. E ela respondeu, ‘Não, eu estou sentindo que ficarei com uma grande repulsa agora”, disse o roteirista Ronald Shusset 


Assim que Scott gritou “ação”, todos começaram a se aproximar do peito falso de John e com certo receio de como a cena seria. Quando a criatura explode pelo peito, todos realmente se assustam e o diretor consegue a reação que sonhava. “Veronica Cartwright, quando o sangue bateu na cara dela, desmaiou. Eu ouvi da esposa de Yaphet Kotto que depois da cena ele foi para o quarto dele e não queria falar com ninguém”, completou Shussett.
Muito além dos efeitos especiais, o primeiro filme conta com um cineasta e um elenco em busca das reações perfeitas. Alien Covenant promete trazer de volta a essência do longa de 1979, mas apesar do CGI parecer mais real, dificilmente ele superará um clássico onde o mais importante era encontrar a melhor cena.
Fonte: Omelete