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sábado, 28 de abril de 2018

A arte de virgular, ou seja, de colocar vírgula no texto.



Essa tal arte de virgular, ou seja, de colocar vírgula no texto, mais do que conhecimento gramatical, exige sensibilidade.
É preciso estar atento ao fluir da frase. Se interrompemos o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito, colocando a vírgula de forma errada, a frase resulta truncada, até sem sentido.
Veja os exemplos a seguir:

O Presidente da República, nomeou o Ministro do Trabalho.
Tente não repetir, os mesmos erros.
Uma vírgula mal colocada atrapalha o entendimento agradável do pensamento. Mesmo que não tenhamos consciência clara disso, sentimos certo desconforto ao ler uma frase assim. De acordo com a gramática, isso ocorre porque não se pode separar o que está sintaticamente ligado: sujeito-verbo-complemento.
Por isso:
Não se usa vírgula entre sujeito e verbo (primeira frase).
Não se usa vírgula entre verbo e complemento (segunda frase).

A arte de virgular
FALAR E ESCREVER
Mas a vírgula deve ser usada em muitas outras situações. Trata-se, assim como os demais sinais de pontuação, de um precioso recurso que utilizamos para sinalizar ao leitor como a frase deve ser lida e entendida.
Quando conversamos com alguém, face a face, fazemos pausas para a respiração, gesticulamos, somos veementes, valorizamos determinada palavra ou frase com a ênfase apropriada, pomos vibração, ou não, no que dizemos…
Nos textos, contudo, para obter o mesmo efeito, temos de recorrer à pontuação, em especial à vírgula, pois seu uso permite a correta entonação e interpretação da frase escrita, sinalizando quando se deve fazer uma pausa ligeira na leitura.

INTERCALAÇÕES
Ao sinalizar essa pausa, a vírgula ajuda o leitor a perceber a ocorrência de intercalações na estrutura básica da frase – aquela do sujeito-verbo-complemento –, sem interromper o fluxo natural do pensamento. Veja como isso ocorre nos seguintes exemplos:
O resultado do exame, ao que tudo indica, logo será publicado.
A vacinação, mesmo em doses fracionadas, ainda é o melhor sistema de prevenção.
A leitura da ideia principal (em negrito) ocorre de forma natural, sem que a intercalação (em itálico), por estar entre vírgulas, atrapalhe a compreensão da frase. Ao contrário, a separação com vírgulas ajuda a entender a frase de maneira mais completa, pois indica que há uma explicação, um esclarecimento, uma condição etc. associada à ideia principal.  A variedade de intercalações é grande, vamos conhecer as mais comuns…

EXPRESSÕES EXPLICATIVAS
As intercalações aqui são aquelas expressões corretivas, explicativas, tais como isto é; ou melhor; quer dizer; data vênia; ou seja; por exemplo etc. Como tais, devem ser colocadas entre vírgulas.
O professor, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara, ou seja, de fácil compreensão.

CONJUNÇÕES  
Certas conjunções, quando intercaladas, prepostas (postas antes) ou pospostas (postas depois) devem ser acompanhadas de vírgulas.
Empenhava-se no estudo com afinco e, por isso, conseguia bons resultados.
A verdade revelada, contudo, não fazia sentido.
Tratava-se, portanto, de fake news.
Entretanto, seguiu em frente.
O ano foi difícil; não me queixo, porém.

SUBORDINADAS
Nestes exemplos, separa-se com vírgula da oração principal (em negrito)  a oração subordinada (adverbial e reduzidas de gerúndio, particípio ou infinitivo, em itálico), que equivale a uma intercalação explicativa.
Quando chamado a comentar, fez um grave pronunciamento.
Sendo contrário, votou pela reprovação do projeto.
Abandonado pelos amigos, ele se virou como pôde.
Por ter parentesco com o réu, declarou-se impedido de julgar.
Os alunos colocaram-se em fila, atendendo ao sinal do recreio.

CONDICIONAL
Também se separa da oração principal (em negrito), com vírgula, a oração subordinada adverbial (em itálico), que funciona como uma intercalação condicional.
Ainda que o provoquem, não reage com violência.
Ele deve concluir o estudo hoje, se for possível.

VOCATIVO E APOSTO
Observe, nos exemplos a seguir, que se deve usar vírgula para separar os vocativos (primeira e segunda frase) e os apostos (terceira e quarta frase). Repare que a lógica de colocar a vírgula para organizar a frase principal, sem interromper sua fluência, se mantém. No caso do vocativo, em particular, a vírgula ainda ajuda a produzir um efeito dramático.
Amigos, é chegada a hora de buscar o entendimento.
Acorda, Brasil.
Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.
O homem, que é um ser mortal, deve se preocupar em deixar um legado.

PALAVRAS ISOLADAS
Aqui, a ideia é dar ênfase a uma afirmação, um conceito, uma tese. Palavras ou expressões intercaladas na frase principal conseguem alcançar esse efeito com o uso das vírgulas.
Compete ao cidadão, sim, exigir do político o cumprimento das promessas de campanha.
Ao político, de fato, cabe a responsabilidade de legislar em prol do bem de todos.

O USO MAIS COMUM
As vírgulas, portanto, são muito úteis para indicar a ocorrência de intercalações dos mais variados tipos na frase principal, sem interromper o fluxo natural do raciocínio expresso por escrito.
Mas a vírgula se destaca naturalmente como recurso usado para organizar e ordenar uma sequência de termos ou de orações em um período. Veja os exemplos a seguir:
Chegou ao Rio de Janeiro, visitou o Pão de Açúcar, levou os filhos ao Jardim Botânico, passeou pela Avenida Atlântica, conheceu o novíssimo Museu do Amanhã.
Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a serem observadas na redação formal.
Assim, como explica a gramática, usa-se a vírgula para separar orações paralelas justapostas, ou seja, não ligadas por conjunção (primeira frase) e para separar termos independentes entre si (segunda frase).

O MAIS ELEGANTE
A vírgula também pode ser empregada para indicar a elipse, ou seja, a ocultação de verbo ou de outro termo usado anteriormente, ajudando a estruturar a frase de forma mais sofisticada. Observe:
João prefere os livros e Carlos, os esportes. 
(João prefere os livros e Carlos prefere os esportes.)
No horizonte distante, uma promessa de navio.
(No horizonte distante havia uma promessa de navio.)

O MAIS PRÁTICO
Quem não conhece este uso da vírgula? Com o objetivo de organizar e deixar bem claro o que está expresso por escrito, usamos a vírgula para separar os topônimos (nome do lugar) em datas e endereços.
São Paulo, 23 de abril de 1999.
Rua Nascimento e Silva, 107.

POR FIM, ALGUMAS PECULIARIDADES
No caso das conjunções mas e pois, importante lembrar que elas requerem continuidade e não pausa ligeira. Assim: Ele veio rápido, masnão ficou muito tempo. (e não Ele veio rápido, mas, não ficou muito tempo.) / Riu muito da situação, pois foi um acontecimento inusitado. (e não Riu muito da situação, pois, foi um acontecimento inusitado.)
Em uma única situação, quando tem o sentido de por conseguinte, portanto, a conjunção pois vem entre vírgulas: Ele está em outra cidade e não pode, pois, saber o que acontece aqui.
Não se usa vírgula antes de e, ou e nem, com algumas exceções:  1) Quando o e liga orações de sujeitos diferentes: O menino respondeu com um sorriso, e a menina, com uma piscadela. / 2) Quando o e e o nemestiverem repetidos na frase, visando dar ênfase ou sinalizar uma pausa mais marcada: Ele tropeçou, e caiu, e se machucou… / Ninguém o acompanhou, nem os irmãos, nem os amigos, nem a namorada! / 3) Quando se quer dar ênfase a uma afirmação ou deixar mais marcada uma pausa na frase: Ela contou toda a história, e pôs muita emoção nisso. / Vamos sair agora, ou não? / Vou entrar neste mar, nem que fique congelada!
A colocação da vírgula é opcional quando o termo anteposto – em geral, advérbios e adjuntos adverbiais – se constitui em uma única palavra. Mas nada impede que coloquemos a vírgula, especialmente se a intenção for realçar o termo: Ontem a CPI decidiu convocar mais um depoente. Ou Ontem, a CPI decidiu convocar mais um depoente. / Depois vamos ao show. Ou Depois, vamos ao show. / Repentinamente disse tudo que o incomodava. Ou Repentinamente, disse tudo que o incomodava.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

OS 5 PRINCIPAIS PRÊMIOS LITERÁRIOS DO BRASIL

Os prêmios podem ser considerados uma retribuição em dinheiro ou objeto de valor, por serviço prestado, uma recompensa ou remuneração. Mas também é uma distinção conferida a alguém que se destaca por méritos, feitos ou trabalhos.


Autores já se preparam para os prêmios literários de 2017No mundo literário prêmios foram criados para estimular a escrita criativa e valorizar os melhores livros e autores. Nem sempre de forma justa aos olhos dos concorrentes mas, na maioria, as  premiações refletem os trabalhos relevantes de um determinado período ou ano, e um corpo de jurados trata, com imparcialidade, das avaliações dos inscritos.

Preparamos uma lista dos principais prêmios nacionais previstos para 2017, para que você possa já se preparar. E, mesmo para aqueles que ainda não publicaram sua obra, ainda dá tempo. Lembrando que as datas e prazos não são fixas, podendo ser alteradas e que não há também garantia de continuidade (exemplo do Prêmio Portugal Telecom, substituído em 2015 pelo Prêmio Oceanos).

Prêmio Sesc de Literatura | Promovido pelo Serviço Social do Comércio, premia anualmente obras inéditas nas categorias Conto e Romance, destinadas ao público adulto, escritas em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros, residentes no Brasil.

Prêmio São Paulo de Literatura | Criado em 2008 pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo difunde e valoriza a leitura. Seleciona anualmente os melhores livros de ficção, no gênero romance, escritos em língua portuguesa, originalmente editados e publicados no Brasil no ano anterior.

Prêmio Oceanos | A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa (hoje patrocinado pelo Itaú Cultural). A premiação é focada nas obras de poesia, prosa e crônicas em língua portuguesa.

Prêmio Jabuti | Conhecido como o “oscar” da Literatura, o Jabuti (organizado pela Câmara Brasileira do Livro) lançará a sua 60ª edição e é, sem dúvida, o mais tradicional e antigo prêmio literário brasileiro, desde a sua primeira edição em 1959.

Prêmio Fundação Biblioteca Nacional | Também é anual e premia autores, tradutores e projetistas gráficos brasileiros em nove categorias: poesia, romance, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil.

Os prêmios literários são uma ótima oportunidade para divulgar a literatura, os temas pertinentes, conhecer novos escritores e obras. E para você, que sabe que tem um bom trabalho em mãos, “Mãos à Obra!”

Comece 2017 com grandes perspectivas. Prepare a sua obra para as premiações.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Cursos Gratuitos Online de Português e Redação

O escritor como qualquer outro profissional deve aprimorar-se em sua área. Para tanto, e como forma de incentivo, indico dois site interessantes, dentre os vários que pesquisei, para aqueles que querem expandir seus conhecimentos na arte da escrita. Um deles é o Cursos Grátis Online e o outro é W R Educacional.








Os sites disponibilizam cursos gratuitos de Língua Portuguesa, Novo Acordo Ortográfico, Técnicas de Redação, Redação e Produção de Textos entre outros. Ao final do curso é feita uma avaliação. O certificado é opcional, sendo enviado mediante pagamento de uma taxa. Eu mesmo já me cadastrei em alguns cursos.  Vale à pena conferir.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Tipos de textos narrativos



A narração é um dos gêneros literários mais fecundos, portanto, há atualmente diversos tipos de textos narrativos que comumente são produzidos e lidos por pessoas de todo o mundo.

Entre os tipos de textos mais conhecidos, estão o Romance, a Novela, o Conto, a Crônica, aFábula, a Parábola, o Apólogo, a Lenda, entre outros.

O principal objetivo do texto narrativo é contar algum fato. E o segundo principal objetivo é que esse fato sirva como informação, aprendizado ou entretenimento. Se o texto narrativo não consegue atingir seus objetivos perde todo o seu valor. A narração, portanto, visa sempre um receptor.

Vejamos os conceitos de cada um desses tipos de narração e as diferenças básicas entre eles.

Romance: em geral é um tipo de texto que possui um núcleo principal, mas não possui apenas um núcleo. Outras tramas vão se desenrolando ao longo do tempo em que a trama principal acontece. O Romance se subdivide em diversos outros tipos: Romance policial, Romance romântico, etc. É um texto longo, tanto na quantidade de acontecimentos narrados quanto no tempo em que se desenrola o enredo.

Novela: muitas vezes confundida em suas características com o Romance e com o Conto, é um tipo de narrativa menos longa que o Romance, possui apenas um núcleo, ou em outras palavras, a narrativa acompanha a trajetória de apenas uma personagem. Em comparação ao Romance, se utiliza de menos recursos narrativos e em comparação ao Conto tem maior extensão e uma quantidade maior de personagens.

OBS: A telenovela é um tipo diferente de narrativa. Ela advém dos folhetins, que em um passado não muito distante eram publicados em jornais. O Romance provém da história, das narrativas de viagem, é herdeiro da epopéia. A novela, por sua vez, provém de um conto, de uma anedota, e tudo nela se encaminha para a conclusão.

Conto: É uma narrativa curta. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucas personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode ser cronológico ou psicológico.

Crônica: por vezes é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o desenrolar dos fatos. A crônica também se utiliza da ironia e às vezes até do sarcasmo. Não necessariamente precisa se passar em um intervalo de tempo, quando o tempo é utilizado, é um tempo curto, de minutos ou horas normalmente.

Fábula: É semelhante a um conto em sua extensão e estrutura narrativa. O diferencial se dá, principalmente, no objetivo do texto, que é o de dar algum ensinamento, uma moral. Outra diferença é que as personagens são animais, mas com características de comportamento e socialização semelhantes às dos seres humanos.

Parábola: é a versão da fábula com personagens humanas. O objetivo é o mesmo, o de ensinar algo. Para isso são utilizadas situações do dia a dia das pessoas.

Apólogo: é semelhante à fábula e à parábola, mas pode se utilizar das mais diversas e alegóricas personagens: animadas ou inanimadas, reais ou fantásticas, humanas ou não. Da mesma forma que as outras duas, ilustra uma lição de sabedoria.

Anedota: é um tipo de texto produzido com o objetivo de motivar o riso. É geralmente breve e depende de fatores como entonação, capacidade oratória do intérprete e até representação. Nota-se então que o gênero se produz na maioria das vezes na linguagem oral, sendo que pode ocorrer também em linguagem escrita.

Lenda: é uma história fictícia a respeito de personagens ou lugares reais, sendo assim a realidade dos fatos e a fantasia estão diretamente ligadas. A lenda é sustentada por meio da oralidade, torna-se conhecida e só depois é registrada através da escrita. O autor, portanto é o tempo, o povo e a cultura. Normalmente fala de personagens conhecidas, santas ou revolucionárias.

Estes acima citados são os mais conhecidos tipos de textos narrativos, mas podemos ainda destacar uma parcela dos textos jornalísticos que são escritos no gênero narrativo, muitos outros tipos que fazem parte da história, mas atualmente não são mais produzidos, como as novelas de cavalaria, epopéias, entre outros. E ainda as muitas narrativas de caráter popular (feitas pelo povo) como as piadas, a literatura de cordel, etc.

Devido à enorme variedade de textos narrativos, não é possível abordar todos ao mesmo tempo, até mesmo porque cotidianamente novas formas de narrar vão sendo criadas tanto na linguagem escrita quanto na oral, e a partir destas vão surgindo novos tipos de textos narrativos.


Fonte: InfoEscola

terça-feira, 19 de julho de 2016

Para escrever melhor, é preciso ler melhor. O que isso significa?

Pesquisadores descobrem que leituras mais complexas produzem escritores melhores. 


Mas 'escrever bem' é um conceito subjetivo 

“Leia e escreva mais” costuma ser o conselho base para aqueles que questionam qual a melhor estratégia para aperfeiçoar a habilidade de escrever. O senso comum diz até que não importa o que um jovem estudante leia, contanto que ele esteja lendo, já que isso seria fundamental para consolidar o hábito de leitura.

Em maio de 2016, pesquisadores da área de negócios e administração de várias universidades norte-americanas resolveram investigar os hábitos de leitura de estudantes universitários e compará-los à qualidade dos textos desses estudantes.

O estudo foi publicado pelo “International Journal of Business Administration” e identificou que a leitura é um fator mais importante na determinação de uma escrita de melhor qualidade do que os exercícios de redação, por exemplo: os materiais considerados “melhores” eram sempre produzidos pelos alunos que liam diários e publicações acadêmicas, ficção literária ou não-ficção.

Depois deles, vinham os estudantes que liam ficção, fantasia e mistério. Por último, o estudo concluiu, ficaram os jovens alunos cujos hábitos de leitura se limitavam a conteúdo leve, produzido para a web, como o de sites como Buzzfeed, Reddit e Tumblr.

As descobertas ecoam as recomendações da escritora Susan Reynolds, autora do livro “Fire Up Your Writing Brain: How to Use Proven Neuroscience to Become a More Creative, Productive, and Successful Writer” (“Acenda seu cérebro de escrita: como usar neurosciência comprovada para se tornar um escritor mais criativo, bem-sucedido e produtivo”), lançado em 2015.

Em seus artigos e no livro, ela costuma recomendar o que chama de “deep reading”, “leitura profunda”, para quem deseja escrever “melhor”. Reynolds se refere, segundo ela, a textos que exijam leitura lenta, imersiva, que sejam ricos em detalhes sensoriais, complexidade emocional e moral.

O que é escrever melhor?
O estudo atribuiu classificações mais altas de qualidade para textos de acordo com a complexidade da frases. Frases com sintática mais sofisticadas foram observadas entre os leitores de textos acadêmicos, não-ficção e ficção literária, e portanto, esses foram considerados os melhores escritores.

Essa definição, no entanto, não dá conta da subjetividade contida em avaliar uma boa escrita. Talvez se aplique a textos destinados à produção acadêmica; mas a definição de ‘escrever bem’, geralmente, varia de acordo com o público alvo do texto e o propósito dele.

Professores de língua portuguesa do ensino fundamental defenderiam que “escrever bem” é conseguir compôr textos usando todos os elementos da norma culta; mas esse critério tiraria da lista de bons escritores José Saramago, por exemplo. O mais proeminente escritor contemporâneo em língua portuguesa tem livros inteiros sem vírgula ou ponto final, por exemplo.

“A qualidade do que é ‘bom’ em literatura, como em qualquer arte, jamais pode ser colocada em termos absolutos. Agora, sobre ‘escrever bem’, é possível avaliar objetivamente se um texto não tem erros de gramática, ortografia e estilo. Ainda assim, um livro pode ser bem escrito e ser uma obra absolutamente irrelevante”, reflete o escritor João Paulo Cuenca, que tem cinco livros publicados e é colunista do jornal “Folha de S. Paulo”.

Na técnica jornalística, costuma-se avaliar que “escrever bem” está relacionado com a habilidade de redigir frases curtas, diretas, claras, com vocabulário preciso, mas nunca desnecessariamente sofisticado.

O escritor norte-americano Mark Twain, autor de “As Aventuras de Tom Sawyer”, é considerado um dos maiores escritores de língua inglesa de todos os tempos. Ele é conhecido pelos inúmeros conselhos e dicas sobre escrita, compilados a partir de cartas em resposta a admiradores, fãs e leitores.

As orientações são levadas em conta até hoje por entusiastas da escrita em língua inglesa. Mark geralmente destacava que, para escrever bem, era necessário “matar os adjetivos”. “Escreva ‘pra caralho’ todas as vezes que você estiver inclinado a escrever ‘muito’; assim, seu editor vai deletar o termo e sua escrita vai ficar ótima”, diz uma famosa recomendação bem humorada creditada a ele.

“Eu notei que você usa linguagem simples e direta, palavras curtas e frases breves. É assim que se deve escrever em inglês - é a maneira moderna e a melhor maneira. Continue assim; não deixe as firulas, enfeites e verborragia se aproximarem. Quando der de cara com um adjetivo, mate-o. Não, não quero dizer completamente, mas mate a maioria deles - e aí os que sobrarem serão valiosos. Eles se enfraquecem quando estão próximos. Ganham força quando estão distantes. Quando o hábito de usar adjetivos, ou de ser ‘palavroso’, difuso, cheio de firulas, domina a pessoa, é difícil de abandonar como qualquer outro vício.”

Mark Twain

Em carta a um estudante em 1880

A conclusão: não há dúvidas de que ler mais e melhor contribua para fazer um leitor se tornar um escritor mais completo. Escolher a ‘melhor’ leitura para um aspirante a escritor, no entanto, é uma tarefa mais subjetiva. Depende do tipo de escritor no qual ele quer transformar-se.


Dicas para começar bem na era da autopublicação

O trabalho dos escritores pode parecer um tanto místico


Sobretudo no caso dos grandes mestres da literatura e suas obras surpreendentes. Talento e genialidade são características invejáveis em qualquer área do conhecimento, mas hoje sabemos que não têm muito valor se não estiverem aliadas à dedicação e à persistência na busca por um objetivo concreto. Essa é a deixa para os meros mortais esforçados.

Para escrever um livro é necessário mais do que ter uma boa ideia, sentar-se e escrever o que vier à mente. É preciso ter conhecimento amplo da língua e das formas de utilizá-la para levar o leitor a sentir exatamente aquilo que a história, ambientes e personagens têm por objetivo transmitir. Esse tipo de conhecimento é adquirido, em parte, com a leitura dos clássicos e dos autores renomados nos diversos segmentos da literatura. Contudo, podemos ir direto ao ponto por meio de obras direcionadas àqueles que desejam estrear na arte literária.

Uma ótima opção para quem está começando chama-se “Como melhorar um texto literário”, de Lola Sabarich e Felipe Dintel, escritores e professores espanhóis. Eles buscaram compor um manual prático sobre técnicas de narração. O livro é básico, mas é capaz de abrir a cabeça de escritores iniciantes para questões que podem passar despercebidas. Uma coisa é certa: após a leitura, adquire-se também um cacoete de crítico literário.

Confira algumas dicas de escrita dos autores sobre alguns dos aspectos abordados no livro, referentes à criação literária de qualidade:

1. A diferença entre dizer e mostrar − Caso o autor queira dar a conhecer que um personagem está triste, há duas possibilidades. Uma delas é apresentar o dado diretamente: “Fulano está triste” (simplesmente dizer). Outra forma seria: “Fulano chora o tempo todo” (tentar mostrar). Lola Sabarich e Felipe Dintel destacam que “os textos literários em que prevalece a estratégia de mostrar obtêm resultados mais estimulantes para o leitor, que terá de exercitar a imaginação e sua capacidade dedutiva, à medida que vai reconstruindo o mundo que o autor lhe apresenta. A leitura se converte, portanto, num ato criativo” (pág. 12).

2. A construção de cenas − Segundo os autores, a construção de uma cena depende de três fatores: moldura (elementos fixos do cenário, como objetos, elementos da natureza etc); atmosfera (elementos variáveis, como a luz, sons e a temperatura); e ação (tudo o que ocorre no cenário, desde movimentos até diálogos e pensamentos). “A menos que o autor pretenda, conscientemente, eliminar algum deles, deverá levá-los em conta toda vez que for construir uma cena” (pág. 27).

3. A criação de expectativas − “É indispensável que o escritor maneje as informações de modo que o leitor progrida na história fazendo perguntas e encontrando respostas, elucidando questões e tropeçando em novos enigmas. Temos aqui uma regra de ouro válida para qualquer relato, pertença ou não ao gênero de suspense” (pág. 47).

4. O tempo narrativo − Os autores falam sobre a importância de se conhecer as diferentes formas de tratar o tempo em um relato, seja alterando a ordem cronológica dos fatos ou trabalhando com o tempo psicológico dos personagens. “Uma hora de espera ou de sofrimento pode parecer uma eternidade, três dias de felicidade podem passar num piscar de olhos, e seis anos podem ficar reduzidos à lembrança de algumas breves cenas: o tempo com frequência perde a sua dimensão real e adquire outra, por força da nossa subjetividade” (pág. 59).

5. A caracterização de personagens − É preciso que o autor conheça seus personagens por completo, até mesmo, muito além do que conta sobre eles na história. “Deve conhecer sua biografia completa e todas as suas intimidades, inclusive aquelas de que os próprios personagens não têm consciência. Somente assim, conhecendo profundamente seus personagens é que conseguirá o autor fazer com que atuem com naturalidade e coerência” (pág.78).

Todos os temas tratados trazem como exemplos textos nos quais é possível fazer a relação entre o que é recomendado e o que se deve evitar em composições literárias de diferentes estilos.

Em uma época na qual a autopublicação tem se tornado cada vez mais acessível, investir em conhecimento e repertório se tornou um diferencial importante para quem tem o sonho de atuar profissionalmente no mundo da literatura. É triste quando pegamos um livro com uma ótima história (ou ao menos com potencial) e com o texto e a narrativa deficientes.

O livro aqui apresentado é apenas um entre incontáveis títulos sobre aperfeiçoamento da narrativa. Os aspirantes a escritores que possuem facilidade de aprendizado podem e devem se beneficiar dos materiais disponíveis nas livrarias e na própria internet. Afinal, como todos já ouvimos falar, a receita para o sucesso é 1% inspiração e 99% transpiração.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Lidando com Agentes e Empresários

Por Bill Labonia


Um dos maiores desafios que o roteirista iniciante vai enfrentar é a busca por representação. Agentes hoje em dia estão tão ocupados tentando vender os roteiros de seus roteiristas estabelecidos que têm pouco tempo para lidar com iniciantes.

Some isso ao fato de que o mercado de hoje está dando pouco espaço para roteiros originais. Principalmente aqueles que foram escritos de forma especulativa. Estúdios trabalham em cima de criação de audiências, por isso, o mercado atual investe muito mais em adaptações e remakes que já possuem uma fanbase considerável.

A realidade do mercado, é que revelar novos roteiristas está mais difícil do que nunca. Os agentes aumentam suas chances de negociar roteiros empurrando o trabalho de seus clientes mais experientes.

Empresários (managers) são diferentes. No geral, enquanto os agentes vão focar em tentar conseguir trabalho para você, o empresário vai focar em desenvolver você como profissional.  Já ouviu falar da história do empresário que encontrou um talento bruto e o transformou em um superstar? Pois bem, esse é o objetivo do empresário.

Eles estão dispostos a investir tempo e esforço "moldando" roteiristas iniciantes para transformá-los em máquinas de fazer dinheiro. Eles lhe darão conselhos e direcionamento de carreira, feedback profissional nos seus roteiros e ainda vai lhe ajudar a reescreve-los.

Agentes, se não gostarem do seu roteiro, eles provavelmente não vão falar nada. Se um cliente recusar um roteiro seu, o Agente provavelmente vai deixar de mandar seu trabalho. Ninguém quer ficar queimado no mercado por enviar roteiros de segunda categoria.

Um empresário é um bom caminho para o roteirista iniciante. Eles normalmente sabem o que o mercado precisa, e se verem potencial em você, com certeza vão querer tirar proveito disso. Por outro lado, eles são ocupados e o tempo deles vale muito. Se eles não enxergarem potencial, ou se não sentirem confiança em você, eles o descartam e partem para buscar o próximo candidato.

Quando a coisa funciona, você consegue vender seus roteiros, talvez até ser contratado por um seriado de TV. Nesse dia, qualquer agente vai ficar mais do que feliz em receber 10% de comissão por todos os seus trabalhos. Na hora em que você se transformar em uma commodity, tenha certeza, Agentes e Empresários farão de tudo para fazer o máximo de dinheiro com a sua carreira quanto possível.