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domingo, 29 de julho de 2018

Autores nacionais que você precisa ler


Autores nacionais


Machado de Assis

A literatura brasileira é invariavelmente ligada a Joaquim Maria Machado de Assis, nascido no Rio de Janeiro em 1839, e responsável por fundar a Academia Brasileira de Letras.
Suas principais obras foram as realistas ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, ‘Quincas Borba’ e ‘Dom Casmurro’. Morreu em 1908, aos 69 anos.

Carlos Drummond de Andrade

Mineiro de Itabira, Carlos Drummond de Andrade foi um dos principais poetas da literatura brasileira.
Sua principal obra é ‘A Rosa do Povo’, publicada em 1945, que reúne 55 poesias que retratam o cenário angustiante da época no Brasil e no mundo.
Nascido em 1902, morreu em agosto de 1987, aos 85 anos, no Rio de Janeiro.

Clarice Lispector

Jornalista e escritora, foi uma das principais autoras da literatura brasileira – apesar de ter nascido em Chechelnyk, na Ucrânia, em 1920. Clarice veio para o Brasil com os pais aos 2 anos de idade e sempre insistiu em reforçar a sua brasilidade.
Seus principais livros foram ‘A Hora da Estrela’, ‘A Paixão Segundo G.H.’ e ‘Laços de Família’. Ela morreu no Rio de Janeiro, em dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos.

Ariano Suassuna

Suas principais obras foram ‘O Auto da Compadecida’ e ‘A Pedra do Reino’. Nascido na Paraíba em 1927, o escritor e dramaturgo morreu em julho de 2014, aos 87 anos, no Recife.
Ariano Suassuna foi eleito em 1989 para ocupar a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras.

Érico Veríssimo

O escritor e tradutor nascido na gaúcha Cruz Alta, em 1905, viu o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’ ganhar repercussão nacional e internacional em 1938.
Mas foi com a saga ‘O Tempo e o Vento’ – dividida em ‘O Continente’, ‘O Retrato’ e ‘O Arquipélago’ – que Érico Veríssimo obteve reconhecimento inquestionável, em uma das obras mais importantes do Rio Grande do Sul e da literatura brasileira. Morreu em 1975, aos 69 anos.

Luís Fernando Veríssimo

Filho de Érico Veríssimo, o também gaúcho Luís Fernando Veríssimo é um dos principais escritores contemporâneos do Brasil. Sua obra contempla textos, crônicas, contos, novelas, romances… Veríssimo nasceu em 1936 e criou personagens como Ed Mort, o Analista de Bagé e a Velhinha de Taubaté, além das famosas coletâneas de crônicas e contos ‘Comédias da Vida Privada’, ‘Comédias para se Ler na Escola’ e ‘As Mentiras que os Homens Contam’.

Graciliano Ramos

Alagoano de Quebrangulo, nascido em 1895, Gracialiano Ramos chegou até a ser prefeito da cidade Palmeira dos Índios antes de lançar suas principais obras literárias.
Como escritor, suas principais obras foram ‘São Bernardo’ e ‘Vidas Secas’ – além de ‘Memórias do Cárcere’, publicado postumamente, em 1953, mesmo ano de sua morte.

Guimarães Rosa

Médico, diplomata… e um dos principais escritores de todos os tempos da literatura brasileira. A leitura de João Guimarães Rosa não é fácil, mas é cativante.
O autor, bastante erudito, inovou na linguagem que utilizou em suas obras, condensou e inventou palavras, e escreveu livros importantíssimos como ‘Sagarana’, ‘Grande Sertão: Veredas’ e ‘Primeiras Estórias’. Nasceu em Cordisburgo, em Minas Gerais, em 1908, e morreu no Rio de Janeiro, em 1967, aos 59 anos.

Jorge Amado

O baiano de Itabuna é um dos escritores brasileiros mais reconhecidos em todo o mundo. Jorge Amado, que nasceu em agosto de 1912 e morreu em 2001, aos 88 anos, teve livros traduzidos para 49 idiomas e recebeu diversos prêmios internacionais.
Seus principais romances foram ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’, ‘Capitães de Areia’, ‘Tieta do Agreste’, ‘Gabriela, Cravo e Canela’, dentre muitos outros.

Paulo Coelho

Muita gente torce o nariz, mas é inegável o sucesso dos livros de Paulo Coelho, lidos no mundo inteiro: ele é o escritor de língua portuguesa mais vendido no planeta, com mais de 190 milhões de cópias comercializadas.
Sua principal obra é ‘O Alquimista’, traduzida para 80 idiomas.

Manuel Bandeira

Um dos principais poetas que o Brasil já teve, Manuel Bandeira tinha versos simples e diretos, que diziam pouco e significavam muito.
O pernambucano do Recife (Recife, não a Veneza americana, como cita no poema ‘Evocação do Recife’), nascido em 1886, foi também um dos principais nomes da Semana de Arte Moderna de 1922.
Bandeira, que sempre demonstrou em suas obras a melancolia por ser tuberculoso e poder morrer jovem, morreu somente em 1968, com 82 anos.

Mário de Andrade

Poeta e romancista nascido em São Paulo no ano de 1893, Mário de Andrade também foi um dos principais nomes da literatura modernista brasileira e da Semana de Arte Moderna de 1922. Suas principais obras foram ‘Macunaíma’ e ‘Pauliceia Desvairada’.

Rubem Alves

O mineiro de Boa Esperança foi um dos mais versáteis escritores da literatura brasileira: produziu crônicas, livros infantis, livros de religião, de ciência, de educação, de teologia.
Rubem Alves também era educador, tinha doutorado obtido nos Estados Unidos, psicanalista e professor universitário. Morreu em 2014, aos 90 anos.

Rubem Fonseca

Mineiro de Juiz de Fora e ainda vivo, Rubem Fonseca, nascido em maio de 1925, também é nome importante da literatura contemporânea no Brasil.
Possui um estilo forte, com temas sobre violência e sexo. Suas principais obras são ‘Agosto’, ‘O Caso Morel’ e ‘O Selvagem da Ópera’.

Vinícius de Moraes

Por último, mas não menos importante, Vinícius de Moraes. Foi poeta e compositor, porque a música também é uma poesia cantada.
Carioca nascido em 1913, o poeta lírico batizado Marcus Vinícius de Moraes assinou versos emblemáticos da cultura brasileira, como as canções ‘Garota de Ipanema’, ‘Eu Sei que Vou Te Amar’ e ‘Chega de Saudade’ (todas com o amigo Tom Jobim). Sem falar, é claro, no ‘Soneto de Fidelidade’.

domingo, 25 de junho de 2017

"Muitos dos maiores males deste mundo começam com a corrupção da linguagem", diz Amós Oz


Em entrevista concedida por telefone, o escritor israelense falou sobre a pecha de "traidor" com a qual é rotulado pelos seus adversários políticos, de sua visão da literatura e da adaptação para o cinema de seu livro de memórias, De Amor e Trevas (2003).

Por Carlos André Moreira

Amós Oz é provavelmente o maior e mais conhecido escritor israelense vivo. É também autor de uma obra umbilicalmente ligada à história de Israel: alguns de seus grandes romances, como Uma Certa Paz (1982), A Caixa Preta (1987), Fima (1991) e Pantera no Porão (1995), fazem uma crônica artística da trajetória do país, suas crises e marés políticas, suas guerras. Ao mesmo tempo, Oz é um dos escritores mais controversos dentro da própria nação de Israel, dado que sua militância pela paz na região e as críticas duras que costuma dirigir a governos israelenses (como o do primeiro-ministro da direita linha-dura Benjamin Netanyahu) provocaram ataques virulentos de seus próprios compatriotas.

Oz, 78 anos, é o palestrante desta segunda-feira no ciclo Fronteiras do Pensamento, e vem a Porto Alegre falar de sua literatura e de suas visões políticas. Ele é cofundador do movimento de esquerda Paz Agora, com outros políticos e acadêmicos de Israel, e já tratou do conflito na região em ensaios e artigos. Um volume selecionando três desses ensaios mais longos será lançado pela Companhia das Letras durante a vinda do autor: Mais de uma Luz, no qual Oz retoma e amplia questões de que já havia tratado em Como Curar um Fanático. Em entrevista concedida por telefone de Israel, Oz falou sobre a pecha de "traidor" com a qual é rotulado pelos seus adversários políticos, de sua visão da literatura como uma necessidade humana e da adaptação para o cinema feita recentemente por Natalie Portman de seu livro de memórias, De Amor e Trevas (2003).


Que temas o senhor pretende abordar em sua palestra em Porto Alegre?

Eu vou falar, primeira e principalmente, a respeito de meu país, Israel, e vou compartilhar com a audiência um pouco da minha visão política, que é bem diferente da política do governo israelense. E também vou falar sobre a minha obra literária.

O senhor comentou as diferenças de sua visão política com relação ao governo de Israel. O senhor e outros escritores israelenses, como seu amigo David Grossman, já foram ferozmente criticados pela direita israelense e tachados de inimigos do país. Como o senhor se sente a respeito desse tipo de acusação?

Me sinto triste e orgulhoso. Sinto-me triste porque muitos israelenses não entendem minhas ideias ou não as aceitam. Mas também me sinto orgulhoso porque, a cada vez que alguns de meus compatriotas me chamam de "traidor", eles me colocam em muito boa companhia, ao lado de alguns dos grandes escritores, poetas, profetas, intelectuais e estadistas na História que foram chamados de traidores por seus próprios contemporâneos. A cada vez que alguém aqui me chamar de traidor, eu usarei esta comenda na minha lapela, como um distintivo de honra, ao lado da Legion d¿Honneur que (o então presidente francês) Jacques Chirac me concedeu há cerca de 10 anos. Assim, penso que ser considerado traidor por alguns de seus compatriotas é uma honra.

Essa é a razão pela qual o senhor decidiu escrever um romance sobre Judas?

Sim, eu escrevi sobre lealdade e traição, e quão complicada é a relação entre lealdade e traição e sobre o fato de que, algumas vezes, o que muitas pessoas chamam de traição parece a outras uma lealdade mais profunda. No meu romance Judas, há muitas personagens que traem outras pessoas, mas Judas não é uma delas. Judas é, no livro, extremamente leal a seu mestre, Jesus. Judas acredita em Jesus mais do que o próprio Jesus acredita em si mesmo.

Nesse sentido, o Judas apresentado em seu romance é um pouco o retrato que o senhor também já fez do fanático.

Sim. Judas no romance acredita em redenção instantânea. Ele gostaria de apressar a chegada do Reino dos Céus. Ele queria pôr os eventos em ação de tal modo que a salvação universal ocorreria imediatamente. E esse é um pensamento típico de fanáticos que perseguem a salvação instantânea.

E o que atraiu em um personagem como esse?

Bem, muitas pessoas, não apenas as religiosas, mas também as revolucionárias e radicais acreditam em salvação instantânea. Muitos dos meus personagens têm crenças que eu não compartilho. Não acredito nas mesmas coisas que meus protagonistas. Alguns deles acreditam em salvação instantânea, eu acredito em soluções práticas. Alguns deles acreditam em fraternidade global, eu acredito mais na coexistência pragmática entre vizinhos, não em amor universal. Com frequência, escrevo sobre protagonistas que não compartilham minhas ideias e crenças políticas, mas como figuras elas me entusiasmam e eu escrevo a respeito.

Qual é o alcance social da atividade de um escritor em Israel e no Oriente Médio, dada a situação atual de conflitos na região?

Eu não gosto de fazer generalizações a respeito do papel social de escritores ou da literatura. Eu prefiro falar sobre o dom da literatura. Penso que romances, contos, poesia, podem abrir para leitor diversas janelas para o mundo exterior e para dentro de si mesmo. Então, em vez de discutir o papel da literatura e dos escritores, eu prefiro falar sobre o presente que é a literatura. Para mim, como leitor, os livros que eu gosto foram um presente. Não são apenas veículos para carregar ideias ou conclusões ou algum tipo de manifesto político. Não, primeira e principalmente foram uma fonte de deleite. Acredito que contar e ouvir histórias são necessidades humanas básicas. Quando temos dois anos de idade, gostamos de ouvir histórias antes de dormir. Um pouco mais e estamos querendo que as pessoas ouçam as histórias que contamos. É uma necessidade humana, como o sonho ou o sexo. Não sinto que a literatura seja algum tipo de veículo carregando mensagens de um ponto a outro ou de uma pessoa para outra. Não é sobre manifestos ou balanços. A literatura é um jogo, e eu adoro esse jogo.

Sim, mas eu pensava mais em dois papéis diversos que o escritor assume. O senhor é um narrador, publica romances e histórias, são sua literatura, mas também publica ensaios e discursos a respeito de política e fanatismo.

Certamente. E nessas obras o que me move é principalmente uma responsabilidade para com a linguagem. Eu sou um escritor, trabalho com palavras todos os dias, do mesmo modo que um carpinteiro trabalha com a madeira ou um pedreiro com tijolos. Assim, eu sinto uma responsabilidade para com a linguagem. Penso que muitos dos maiores males deste mundo começam com a corrupção da linguagem, e é meu dever gritar a cada vez que vejo alguém usando uma linguagem contaminada. Quando algumas pessoas chamam outras de "estrangeiros indesejáveis", "elementos negativos", "câncer social" ou "parasitas", sei que é sempre aí que começam a violência, a perseguição e a crueldade. Daí meu senso de dever de trabalhar como o corpo de bombeiros do idioma, ou como um detector de fumaça, eu preciso gritar "fogo" sempre que leio ou ouço essas palavras que, mais cedo ou mais tarde, vão gerar violência.

Fonte: Zero Hora